Festas, tempo de amor e união!

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Festas, tempo de amor e união!

A época do fim do ano, com seus festejos e reencontros, é uma das mais esperadas pelos brasileiros. Adoramos passar as festas em companhia de familiares e amigos, desfrutando de música especial, boa comida e bebidas. A árvore de Natal repleta de embalagens coloridas e toda iluminada traz memórias festivas e a saudade daqueles que já se foram.

Todos nós queremos desfrutar o Natal com aqueles que mais amamos, mas a vida às vezes nos surpreende e somos pegos com doenças ou internações hospitalares justamente nesse período. O que fazer? Ignorar as tradições ou se adaptar ao momento?  O paciente com Alzheimer e demência nem sempre está alheio a realidade, portanto, não pense que “ele/ela não sabe que é Natal”. Considere sempre que sabem e faça sua parte para lhe proporcionar um Natal acolhedor, seja em casa, numa clínica ou hospital. Lembre-se que um dia, eles não estarão por perto, e aproveite agora esta data especial juntos.

Vale lembrar que o melhor presente que se pode dar a uma pessoa adoentada, seja em casa ou no hospital, é a sua companhia e amor. Nesta época, é possível preparar algumas atividades para desfrutarem juntos, mesmo quando há alguma restrição cognitiva ou de mobilidade.

Para famílias que estão passando por momentos difíceis, especialmente para quem tem um familiar que sofre de demência ou Alzheimer, algumas dicas podem ajudar a tornar as próximas semanas mais alegres:

1. Procure estimular a pessoa adoentada ou acamada com atividades de planejamento que poderão proporcionar-lhe momentos agradáveis, evitando deixá-la triste ou frustrada por não conseguir fazer alguma coisa. Procure atividades que caibam na sua capacidade motora, como por exemplo, ajudar a selecionar o cardápio ou escolher presentes para os entes queridos em um folheto de ofertas. É importante que a pessoa  sinta prazer em realizar as atividades propostas e que não se sinta obrigada ou pressionada a fazê-lo. Por exemplo, antes do dia da ceia, discutam as receitas, converse sobre os diferentes ingredientes que precisa. Se possível, planeje uma receita simples para que o paciente possa colaborar.

2. Considere sempre que o resultado final não é o mais importante, mas sim o modo como realizam juntos a tarefa e, acima de tudo, o tempo que desfrutam juntos. Por isso, procure fazer isso em momentos de calma, adaptando a atividade à pessoa, de acordo com o seu nível de autonomia, disposição e humor.

3. Use sempre palavras positivas e de encorajamento durante as atividades, lembrando-se de que frases como
“Esqueceu?” ou “Já não consegue fazer …” devem ser evitadas.

4. Participar da decoração da casa (ou do quarto) pode ser bastante benéfico e estimulante. As pessoas com demência e Alzheimer podem e devem ser envolvidas com a seleção da decoração natalina. Enfeites antigos ou novos podem alegrar a casa e tornar o momento mais festivo para toda a família. Dependendo do grau de autonomia do paciente, a família pode optar por ter a maioria da decoração completa e deixar que o paciente ajude com os últimos detalhes. Compre enfeites inquebráveis e seguros, levando em conta materiais e dimensões adequadas.

5. Que tal fazer uma árvore de Natal de papel, enfeitada com fotografias de membros da família?
Fazer esta árvore pode não só ser um momento divertido, mas é também uma grande oportunidade para relembrar. Este tipo de árvore é muito bacana para enfeitar o quarto da pessoa acamada também.

6. Se possível, aprecie a decoração na rua. Em muitas cidades a prefeitura faz uma decoração especial. Que tal levar seu ente querido para um passeio de carro, a pé ou mesmo na cadeira de rodas para um rolê natalino? Apenas evite locais muito confusos ou tumultuados, como shoppings e ruas de pedestres.

7. Embrulhar os presentes pode ser uma atividade muito estimulante para a pessoa acamada ou com baixa mobilidade, que não pode ir às compras. Dê aquela ajudinha se for preciso, mas vale a pena incentivar que o paciente faça a tarefa, comprando saquinhos de diversos tamanhos, etiquetas e laços fáceis de aplicarem. O mais importante não é que o embrulho fique perfeito, mas sim que a pessoa se sinta bem durante a atividade.

8. Junte as crianças da família para um “intercâmbio cultural”. As crianças podem desenhar cartões para os mais velhos, enquanto os mais velhos aproveitam para cantar canções de Natal, criando novas memórias na família.  Mesmo que o paciente com doença de Alzheimer já não se consiga lembrar totalmente das letras, ele pode gostar de ouvir e até mesmo entoar uma ou outra estrofe de sua canção favorita. Cantar ou ouvir música é uma atividade agradável para o paciente idoso, podendo trazer-lhes recordações e proporcionar-lhes momentos agradáveis.

9. Assista filmes de Natal! Filmes de Natal são sempre um alento para a alma! Que tal sentar-se um pouco e compartilhar um bom filme de Natal com seu ente querido? Dependendo da condição do paciente, explique o que está acontecendo durante o  filme, estimulando o paciente a fazer seus comentários.

10. Orações fazem parte de muitos rituais natalinos. Independente de estar passando o Natal em casa, com a família, no hospital ou em uma clínica, é sempre bacana incluir um momento de prece, para agradecer ou pedir proteção especial nesta época do ano. Que tal começar com uma oração ensinada a você, pelo seu familiar? Se o seu familiar sempre foi religioso tem condições físicas para isso, pode acompanhá-lo a uma missa ou culto, podendo mesmo ir apenas ao final, para não cansar demais a pessoa. Alternativamente, que tal assistir um evento religioso pela TV?

11. Se o paciente está hospitalizado, não será possível fazer um grande Natal em família, mas a família pode fazer escalas para que o paciente não fique sozinho no hospital, e mesmo, pode adaptar algum ritual para o quarto do paciente: pequenas decorações, pequenos mimos, e presença (o melhor presente!) nos dias que antecedem e precedem o Natal e Ano Novo, para que o paciente se sinta acompanhado e acolhido.

Finalmente, procure manter as tradições familiares. Todas as famílias têm algo especial que costumam fazer na época do Natal, e quando não é possível manter a tradição em sua totalidade, procure fazer o que for possível. Troque a data da ceia, reduza a complexidade do evento, mas mantenha viva a tradição familiar, mesmo que apenas uma parte dela. Com isso, a família poderá ter um senso de união, apesar das dificuldades momentâneas que enfrentam.


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